José Miguel Sardica: "O “mistério” de Isabel II"
A morte da rainha Isabel II, a transmissão da coroa para o novo monarca Carlos III e, sobretudo, o espetáculo cerimonial das exéquias fúnebres, acompanhadas por centenas de milhares de britânicos in loco, e por centenas de milhões de espetadores através da cobertura noticiosa televisiva em todo o mundo, entrarão seguramente para a História. Foram 11 dias de suspensão temporal da História, na encenação ritual e mediática de uma espécie de presente contínuo ou de dia único interminável, encerrado na passada segunda-feira, na abadia de Westminster. Ali começou o reinado, em 1953; ali tudo terminou, em 2022 – depois de 70 anos de dedicação ao Reino Unido, à Commonwealth e à causa da exemplaridade liberal e democrática, desde a reconstrução do pós-II Guerra à era da incerteza, da tribalização e da superficialidade de hoje.
A monarquia não é um emprego que se ocupa de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h, 4, 8 ou 10 anos: é uma vida inteira de abnegação, dignidade, dedicação e serviço ao bem comum. Isabel II foi “a” rainha, e um exemplo único – não haverá outro no tempo das nossas vidas – de “gravitas” institucional, inspiradora, na sua continuidade evolutiva. Camões escreveu um dia sobre D. Fernando que “um rei fraco faz fraca a forte gente”; a rainha Isabel II foi sempre uma fortaleza tranquilizadora (mesmo na sua fragilidade de ser humano) que manteve forte a (sua) forte (e diversificada) gente.
Artigo completo disponível na Rádio Renascença.
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