José Miguel Sardica: "​O 25 de abril na meia-idade"

Na história dos regimes políticos da contemporaneidade portuguesa - e antes da efeméride que o país vai celebrar na próxima semana - só a monarquia constitucional, no século XIX, chegara aos 50 anos, um marco de que a Primeira República ficou muito longe e a Ditadura (contada a partir de 1926 e transformada em Estado Novo em 1933) não atingiu. Numa vida humana, fazer 50 anos significa que se tem já mais passado do que futuro - a não que se chegue aos 100. Mas se é verdade que os 40 são a velhice da juventude, os 50 são a juventude da velhice, e nada impede que muitas coisas boas ainda estejam para vir. Já na vida de um regime político-social e de um país, meio século poderá ser pouco, ou muito, consoante ele ainda motivar perspetivas de futuro ou nostalgias do passado.

Todos os democratas devem nutrir simpatia pelo 25 de abril de 1974. A data foi um ponto de chegada de um processo vasto de transformação “liberalizadora” da sociedade portuguesa provindo da década de 1960, que a ditadura, a repressão e a censura não puderam evitar, e que a guerra em África e o imobilismo político (do último Salazar e do último Caetano) aceleraram. E foi, sobretudo, um ponto de partida. 

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