José Miguel Sardica: "Munique, 2025"
A referência “Munique” tem um significado que todo o historiador, politólogo ou diplomata conhece bem. A 29 de setembro de 1938, na capital da Baviera, Hitler, Mussolini, Chamberlain e Daladier assinaram a divisão da Checoslováquia, consignando a soberania nazi sobre a zona dos sudetas e garantindo a independência à metade sobrante do país. Londres e Paris aceitaram o acordo para apaziguar Hitler, confiando que ele se aquietaria. Seis meses depois, em março de 1939, o líder nazi marchou sobre Praga e ocupou o que restava da martirizada Checoslováquia.
A partir de 1963, “Munique” passou a significar também a cidade sede da Conferência Anual de Segurança e Defesa, uma espécie de Davos político ‘avant-la-lettre’, onde os grandes da Guerra Fria iam solidificar amizades ou marcar posições em relação aos inimigos. Em mais de sessenta anos, alguns encontros entraram para a história: os de 1990 e 1992, após a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da URSS, o de 2002, no pós-11 de setembro, ou o de 2007, quando Vladimir Putin rompeu com a nova ordem pós-comunista da NATO e da UE, declarando que a Rússia jamais aceitaria a subalternização internacional para que a estavam a empurrar.
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