José Miguel Sardica: "A multiplicação do fascismo"

Para as esquerdas, só existem dois Portugais: um democrata e outro fascista. O primeiro é o delas, sempre enamoradas de si mesmas, na arrogância da sua “superioridade” moral; o outro é o das direitas - todas as direitas. Apesar do assomo de lucidez de Pedro Nuno Santos na noite eleitoral, respondendo ao grito socialista de “Fascismo nunca mais!” com o reconhecimento de que não há 18% de racistas, xenófobos ou fascistas em Portugal, o facto é que foi assim que o “democrata” Augusto Santos Silva tratou o Chega, foi esse papão que insuflou António Costa e foi essa retórica (a de que toda a direita - CH, AD e IL - era “radical” e “perigosa”) que Pedro Nuno, Mortágua, Raimundo e Tavares usaram na campanha eleitoral.

O problema das esquerdas em Portugal, acentuado pelo amargo de 10 de março, é que descortinam fascismo em quem quer que não concorde com elas. Ora, a diferença de opinião é uma manifestação democrática de alteridade de visões: não é um insulto, um atentado, uma ofensa, um disparate ou uma alienação. Do alto das suas “poderosas” bancadas parlamentares (que cabem, juntas, num minibus), Mortágua, Raimundo e Tavares acham sempre que a direita não pode governar. Mas o povo - que é, segundo eles, quem mais ordena - ordenou que existam 135 deputados de direita (48 deles do CH). É a vida, porque é o povo quem mais ordena! E o direito de a direita governar - em qualquer democracia adulta - não é a esquerda que o concede. A não ser que a esquerda portuguesa de 2024 seja como o Partido Republicano de Afonso Costa: se os portugueses o vitoriavam eram um “bom povo”; se o apupavam eram uma “canalha” ao serviço dos padres e dos talassas!

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