José Miguel Sardica: "José Mattoso: a História como espiritualidade"

A infausta morte do historiador José Mattoso privou do mundo dos vivos uma das maiores figuras da cultura portuguesa do século XX. Não foi, nem era, apenas um grande universitário e académico, mas também um grande pensador, um elegantíssimo cultor das letras e um verdadeiro “diretor espiritual” para os muitos que longe chegaram como seus discípulos.

Eu nunca me contei entre estes, pela simples razão de que não sou medievalista, mas contemporanista. Todavia, no 2.º ano da minha licenciatura, na Universidade Nova de Lisboa (dedicado ao estudo pluridisciplinar da Idade Média), José Mattoso deu à minha turma algumas aulas (o grosso já pertencia a um outro saudoso, Luís Krus, também já falecido). Ar tímido, pose discreta, cadência ritmada, era possível “vê-lo” pensar e procurar a fórmula exata de transmitir, com fidelidade e simplicidade, o passo profundo da História que nos queria contar. A jovens de 20 anos, parecia-nos um monge laico, quase uma figura medieval etérea, estranhamente transplantada para o bulício do auditório na Avenida de Berna. Narrava interpretando e emprestando um sentido quase cinematográfico ao imaginário do feudalismo de que nos estava a falar.

Artigo completo disponível na Renascença.