José Miguel Sardica: "As incoerências do “flotilhismo”"
A palavra “flotilhismo” ainda não está dicionarizada, mas já merece sê-lo, em face dos ecos do caso da flotilha que singrou pelo Mediterrâneo a caminho de Gaza. A iniciativa “flotilhista” não é nova; mas adquiriu, no contexto da guerra entre Israel e o Hamas, um relevo que suscita múltiplos juízos, a favor ou contra. Quando se consideram os meandros do Médio Oriente, é sempre pouco o que (realmente) sabemos e muito o que julgamos saber. E neste tema, a credibilidade da opinião (e das ações) passa pela honestidade e não pela parcialidade, que gera incoerências e decorrentes histerias.
A dita flotilha não ia levar ajuda a Gaza, porque o que se levava a bordo não configura tal coisa; quando muito, ia expressar solidariedade com Gaza. De imediato surgem perguntas. Que Gaza - a dos palestinianos ou a do Hamas? Para lá da solidariedade à Ucrânia, por que não se organizam flotilhas ou caravanas para ajudar, por exemplo, as populações do Sudão, Ruanda, Congo ou Iémen? E por que não se dirigiu a flotilha para o Egipto, a fim de pedir ao governo islâmico do Cairo que abra a fronteira de Rafah para ajudar os “irmãos” muçulmanos de Gaza? O “flotilhismo” não responde.
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