José Miguel Sardica: "A escolha"
Em 1980, Ronald Reagan derrotou Jimmy Carter nas eleições presidenciais dos EUA, impedindo a reeleição do democrata para o seu segundo mandato. No último debate televisivo entre os dois, o candidato republicano desequilibrou as coisas a seu favor. Olhando diretamente para a câmara, dialogou com os eleitores americanos, dizendo-lhes que, no dia da eleição, quando estivessem na cabine de voto, deveriam considerar uma pergunta: “Estão melhor agora do que há quatro anos?” Se a resposta fosse “sim”, a opção de voto era natural; se a resposta fosse “não” - se, sobretudo, achassem que o curso seguido nos últimos quatro anos não era o que queriam para os próximos quatro anos - então a opção de voto era óbvia. Ou seja: deveriam escolher entre o “mesmo” ou a “mudança”. Foi também esse o argumento que os conselheiros de Bill Clinton lhe sugeriram que explorasse, em 1992, na situação inversa - a do candidato democrata que queria, e conseguiu, derrotar o incumbente republicano, George Bush. Tudo simples: querem continuar como estão, ou querem outro rumo?
Saltemos para o Portugal de 2024. Os pequenos partidos, os partidos que ainda são pequenos e o que surge inchado pelo protesto inorgânico que me desculpem, mas o mandamento de Reagan ou Clinton deveria ser o guia da nossa (de todos) escolha, quando estivermos na cabine de voto, no domingo.
Artigo completo disponível na Renascença.
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