José Miguel Sardica: "​André de Windsor: o cidadão ex-príncipe"

O “indivíduo com cerca de 60 anos” que a polícia britânica deteve na semana passada para interrogatório sumário, provavelmente instrutório de um processo judicial futuro, nasceu no Palácio de Buckingham, a 19 de fevereiro de 1960, como terceiro filho da rainha Isabel II, de seu nome completo André Alberto Cristiano Eduardo Mountbatten Windsor. Foi “Sua Alteza Real, o príncipe André” do berço ao casamento, em 1986; “Sua Alteza Real, o duque de Iorque” do casamento até ao início de 2022, quando a rainha lhe retirou a titulatura real; “André, duque de Iorque” até outubro de 2025, quando o novo monarca, seu irmão, Carlos III, lhe retirou a titulatura nobiliárquica; e André de Mountbatten Windsor desde então, quando se tornou um simples cidadão britânico, ex-príncipe, para sempre afastado dos “royal seniors”, escorraçado para longe e caído em desgraça social, moral e financeira.

A detenção do cidadão André é o primeiro grande impacto internacional das recentes revelações dos ficheiros Epstein, mostrando como as teias da rede montada pelo sórdido multimilionário norte-americano chegavam longe e fundo. A queda do filho preferido de Isabel II já vinha de longe, à medida que se foi constatando o seu envolvimento sexual com mulheres (menores) da rede de tráfico e exploração humana montada por Epstein para satisfazer luxúrias suas e alheias, e possivelmente para chantagear os poderosos que assim caíam na sua órbita.

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