José Miguel Sardica: "A África Portuguesa 50 anos depois"
Encetado o processo revolucionário do PREC, a descolonização foi o primeiro grande desafio do novo regime que começou a criar-se em Portugal em 1974, porque nenhum soldado queria continuar a combater nas colónias e nenhum português aceitava já ser mobilizado e despachado para África. Os federalistas moderados, como o presidente Spínola, que pretendiam uma descolonização gradual, mediante referendos locais à autodeterminação, depressa foram ultrapassados pela panóplia de forças civis e militares que exigia a retirada imediata de África, mesmo que isso conduzisse a um abandono caótico das colónias portuguesas, de cujo poder tomaram conta movimentos independentistas pró-soviéticos, e de cuja sociedade e economia 600 a 700 mil portugueses foram expulsos, dando origem à vaga migratória dos “retornados”.
Os resultados ficaram à vista: entre setembro de 1974 e novembro de 1975, a Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola içaram as suas bandeiras nacionais, antes de mergulharem, de forma mais ou menos visível e sangrenta, em guerras civis que se prolongariam pela geração seguinte.
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