José Miguel Sardica: "Adolescer"

Uma minissérie visualizável pela internet (Netflix) que expõe os possíveis males dessa mesma internet. Constatada a ironia, vamos ao merecido elogio e à indispensável reflexão. «Adolescência» tem apenas quatro episódios, filmados em “takes” únicos, o que reforça a continuidade da narrativa e cria um maior efeito de proximidade, como se o espetador estivesse “ali”, ao lado dos protagonistas. As quatro horas de duração total constituem quase uma peça de teatro em quatro atos, espaçados no tempo (dia 1, dia 3, 7 meses e 13 meses), com ação que decorre naséri esquadra da polícia, na escola, na visita da psicóloga ao reformatório e numa (triste) manhã de aniversário da família. O “storytelling” da minissérie do momento cria um efeito claustrofóbico e sufocante de interrogações e emoções. E como que num efeito circular, termina no mesmo quarto e na mesma cama onde (quase) começa, sem que os protagonistas inocentes da trama consigam responder aos porquês do drama que se abateu sobre as suas cabeças.

Não quero ser spoiler, por isso recordo apenas o resumo público de «Adolescência». Jamie Miller, um anónimo rapaz de 13 anos, é preso sob suspeita de ter assassinado à facada uma colega ou amiga de escola, Katie. Depressa se percebe que o crime foi perpetrado; a série, contudo, não é tanto sobre aquele adolescente, mas sobre a condição da adolescência e sobre os atuais processos que fazem as crianças-jovens “adolescer”. 

Artigo completo disponível na Renascença.