José Maria Moutinho: "Ficar em casa mata"

Depois de termos acertado nas projecções da trajectória de contágios (contra as afirmações da DGS) e de termos publicado que a melhor solução é a imunidade de grupo com três recomendações de políticas de saúde, vários dias antes da Comissão Europeia as ter publicado, achamos que devíamos trazer a público as nossas recomendações para ajudar o debate e resolver esta pandemia mais eficaz e eficientemente.

O contexto actual é o seguinte:

  1. O contágio não parou, só abrandou. Ainda bem que abrandou, mas não evitou os actualmente mais de 20 mil casos activos de Covid;
  2. A economia parou para abrandar o contágio, o que gerou restrições no dia-a-dia das nossas vidas e vai gerar mais desemprego e falências a cada dia que está parada;
  3. O Estado está a emitir dívida para injectar na economia, mas dado que a economia está parada, não se está a reactivar o ciclo económico. Este aumento do endividamento das empresas e do Estado compromete o longo prazo;
  4. O custo humano de isolamento está a começar a demonstrar-se: depois de quase mês e meio de isolamento, há cada vez mais quem prefira arriscar ser contagiado a continuar em isolamento, especialmente depois da controvérsia do 25 de Abril, em que o governo saiu descredibilizado.

Portanto, se ganhámos a primeira batalha com o “fique em casa”, mantendo-o, vamos perder a guerra. O relógio está a contar. Temos de ser cautelosos e precisamos de ações e medidas acertadas e rápidas. Se houver uma jogada política que ao mesmo tempo minimiza as fatalidades desta pandemia e relança a economia, devia ser tomada. Claro que ninguém contradiz isto, mas como estes dois vectores são sempre ilustrados como antagónicos, a pergunta é: como é que se faz isso? E a resposta é: usando a fragilidade do nosso adversário contra ele. Criar imunidade de grupo a partir das pessoas que, sendo infectadas, têm menores taxas de mortalidade. As boas notícias são que, felizmente, há uma hipótese.

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