José Azeredo Lopes: "A guerra que não podia acontecer"
Sabe-se desde o início quem é o agressor e quem é o agredido. Foi uma questão resolvida mais depressa do que em 2014, quando o Ocidente olhou quase todo para o lado, talvez por achar que eram arranjos inevitáveis e porque não tinha a consciência muito tranquila. O consenso alargado de hoje é a primeira novidade.
Ainda haver guerra na Ucrânia é a segunda surpresa. É impressionante que a Ucrânia não tivesse sido logo derrotada, devemos ter subestimado o que aprendeu desde 2014. Por competência própria e demérito do opositor, a guerra lá vai, umas vezes com melhores notícias, outras vezes, menos boas. Hoje, a luta só é possível pelo fornecimento de armamento sofisticado à Ucrânia, pelo treino das suas forças noutros países, pelo financiamento inesgotável garantido pela União Europeia e, sobretudo (de longe), pelos Estados Unidos. Ora, não teria havido apoio nenhum (ou muito menos) se os ucranianos não tivessem conquistado com o seu sangue a nossa admiração pela coragem indomável, logo após o início da invasão apontada a Kiev e que junto a esta soçobrou.
A terceira surpresa? A afirmação notável da comunicação e propaganda ucranianas, muito superiores às da Federação Russa. O destaque vai quase todo para Volodymyr Zelensky. Quando foi preciso manter a esperança perante a desigualdade brutal de meios entre as duas partes no conflito, a face visível do povo foi a do presidente ucraniano, "obrigando-nos", às vezes com excessos, a nunca esquecer o que acontecia no Leste.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Notícias de 23 de agosto de 2022.
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