Jornalismo é "arma ainda mais eficaz" em pandemia
O jornalismo reforçou a sua importância no contexto da pandemia e constituiu uma "arma eficaz" no combate contra a covid-19, concluiu uma equipa de investigação de três universidades e um centro de investigação portugueses que analisaram cerca de três mil notícias publicadas durante as vagas pandémicas que assolaram Portugal.
"Na primeira vaga, a situação epidemiológica não era tão grave quanto pensávamos, mas a cobertura noticiosa foi muita intensa e antecipou-se ao agravamento do quadro sanitário, contribuindo para orientar o comportamento dos cidadãos no sentido de se protegerem", começa por explicar Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho e coordenadora do trabalho.
No entanto, a cobertura noticiosa aliviou durante a segunda vaga e demorou a arrancar com a mesma força com que o fez em março de 2020, quando o quadro epidemiológico começou a agravar-se, em janeiro de 2021. De acordo com este estudo, o número de notícias sobre a covid-19 publicadas na primeira vaga foi três vezes maior do que na terceira vaga, num período equivalente. "Estas oscilações podem ter consequências.
Importa reconhecer o papel do jornalismo e fazer dele parceiro em situações de crise sanitária", frisa Rita Araújo, investigadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Segundo o estudo, na primeira vaga as notícias focaram sobretudo, além dos retratos epidemiológicos, temas de índole social (21%), nomeadamente em torno do trabalho e da educação. Porém, na segunda fase, os temas sociais perderam força (7%) e a política nacional ganhou relevo (20%). "Teria sido importante recentrar a atenção noutras temáticas, porque os políticos ganharam mais visibilidade, mas essa visibilidade nem sempre decorreu de ações reais", afirma a coordenadora do estudo.
A segunda vaga foi também mais rica em notícias sobre investigação médico-científica, sobretudo por causa das expectativas em torno dos ensaios clínicos das vacinas (9%). Já a terceira vaga foi marcada por um noticiário particularmente negativo, que se debruçou sobre os retratos de situação (23%), nomeadamente no que concerne à contagem de mortos por covid-19. Dentro dos temas sociais (17%), a educação voltou a ganhar espaço noticioso, o que se explica pelo encerramento das escolas.
A análise dos investigadores refere que é o governo quem centra a comunicação sobre a gestão da pandemia nos períodos de maior tensão (12,3%). No entanto, há diferenças entre os governantes.
Além de Felisbela Lopes (CECS/Universidade do Minho), Rita Araújo (CECS/ Universidade do Minho) e Olga Magalhães (Cintesis), integram a equipa de investigação Clara Almeida Santos e Ana Teresa Peixinho (Universidade de Coimbra) e Catarina Duff Burnay (CECC-FCH, Universidade Católica Portuguesa).
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Diário de Notícias de 10 de março de 2021.
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