João Pinto: "Para quando os cortes na taxa de juro?"

Segundo o Banco de Portugal, o rácio de endividamento da economia portuguesa situou-se, em termos nominais, nos 803,1 mil milhões de euros em 2023 (449,3 mil milhões relativos a empresas e famílias e 353,8 mil milhões de euros relativos a administrações públicas e empresas públicas), o que representou 301,3% do PIB. Apesar de ter diminuído para 800,4 mil milhões de euros em fevereiro, o “stock” de dívida da economia portuguesa continua a ser um dos mais elevados da zona euro, ombreando com economias como a italiana e espanhola.

A par do aumento nominal do endividamento da economia portuguesa em 4,2 mil milhões de euros entre 2022 e 2023 e como resposta a pressões inflacionistas, o Banco Central Europeu (BCE) levou a cabo, desde julho de 2022, uma política monetária contracionista sem precedentes, com o aumento da taxa de juro diretora de 0% para 4,5% em pouco mais de um ano. A combinação de um elevado “stock” de dívida com elevadas taxas de juro originou um elevado peso do serviço da dívida no total de rendimentos das empresas e famílias, colocando fortes restrições ao investimento e ao consumo, sendo hoje um dos principais fatores de risco da nossa economia.

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