João Pinto: "Choques geopolíticos e economia: agora o Médio Oriente"
A economia global voltou a recordar uma das suas vulnerabilidades estruturais: a dependência da estabilidade geopolítica no Médio Oriente. O conflito que envolve Israel e EUA contra o Irão trouxe novamente para o centro do debate económico a relação entre guerra, energia e inflação, uma interdependência que a Europa conhece demasiado bem.
Os mercados reagiram de forma imediata. A 26 de fevereiro, o barril de Brent negociava em torno dos 71 dólares. Em menos de duas semanas, a intervenção militar de Israel e dos EUA no Irão e a escalada de tensões na região levou o preço a alcançar, a 9 de março, os 120 dólares por barril. Nos dois dias seguintes baixou para a casa dos 90 dólares, mas no dia 12 de março voltou a ultrapassar a barreira dos 100 dólares. Esta volatilidade ilustra bem a sensibilidade dos mercados energéticos ao risco geopolítico. A região do Golfo continua a ser central para o abastecimento energético mundial e qualquer ameaça à estabilidade das rotas de transporte, em particular no estreito de Ormuz, traduz-se rapidamente em prémios de risco nos preços do petróleo.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal de Negócios de 17 de março de 2026.
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