João Pereira: "O algoritmo que nos comanda e o cérebro que lhe obedece"

Quantas vezes recebemos sugestões através de aplicações e emails que parecem ser as mais indicadas para nós naquele momento? É como se um amigo próximo estivesse sempre atento e nos guiasse sempre que precisássemos. Aos poucos, corremos o risco de deixar que essa espécie de magia afetuosa nos determine as escolhas e preferências sobre o que comer, o que ouvir, o que ver, o que ler, e por aí fora.

Estamos cada vez mais rodeados de algoritmos, ou seja, de conjuntos de regras bem definidas que pretendem resolver um problema. Os nossos telefones e computadores, potenciados ainda mais pela Inteligência Artificial (IA), vão aprendendo os nossos padrões, refinando assim as suas respostas às nossas necessidades e anseios. A conveniência é clara: quem nunca terá dito, “hoje não me apetece pensar, escolhe tu”? Em última análise, podemos até libertar-nos de toda a agência e deixar que essas predições nos definam enquanto pessoas. Qual o limite?

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes da revista Visão de 4 de março de 2026.