João Moreira de Campos: "O Médio Oriente e o petróleo à luz da História"

Na sua edição de 25 de setembro de 1990, o Los Angeles Times noticiava que as ameaças de Saddam Hussein haviam espoletado um aumento expressivo do preço do barril de crude, elevando-o ao patamar dos 38 dólares. Tal aumento, na ordem dos 8%, resultava do receio de um eventual ataque aos campos petrolíferos sauditas e da possível situação de escassez que este provocaria, quase dois meses depois de o Iraque ter invadido o Kuwait. Com a queda expressiva das cotações bolsistas, os mercados financeiros reagiram e o dólar conheceu uma depreciação substancial.

Repetia-se, então, a conjuntura observada há praticamente uma década, aquando da deposição do Xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlavi, e do subsequente conflito militar entre o Irão e o Iraque, desencadeado por uma tentativa de invasão territorial perpetrada pelo governo de Saddam Hussein. Se os tumultos decorrentes do primeiro acontecimento afetaram a extração de petróleo por parte dos iranianos, a eclosão da guerra condicionou-a também no Iraque, privando a economia mundial da exportação diária de milhões de barris. A profunda dependência desta matéria-prima esteve na génese de uma crise sistémica, que forçou a adoção de políticas monetárias contracionistas em diversos países do noroeste global, de forma a combater as pressões inflacionárias emergentes.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.