João Confraria: "A sociedade com classes"
Há 50 anos, estava na moda dividir a sociedade em duas classes, burgueses e proletários, seguindo influências intelectuais predominantes na época. E assim se discutiu muita política e foram tomadas decisões de grande alcance. Inevitavelmente, fez-se asneira. Na sociedade portuguesa não havia assim tantos burgueses verdadeiros e, com exceção do Alentejo, no país não abundavam proletários propriamente ditos.
Fazer política com base em abstrações desligadas da realidade não dá grandes resultados. Mas isso não foi razão para que deixássemos de a fazer. Passados uns anos, vieram as modas associadas à evolução do trabalhismo inglês. Como então se suspeitava, onde nos manuais de intervenção política o velho trabalhismo dizia trabalhadores, o novo trabalhismo passou a dizer consumidores. O resto do texto dos manuais deve ter ficado mais ou menos na mesma. Em Portugal largos setores do PS e do PSD foram logo conquistados pela ideia. E os interesses que eram atribuídos aos consumidores substituíram os dos trabalhadores como fonte da luz dirigida à parte portuguesa da humanidade.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal Observador de 12 de julho de 2024.
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