João César das Neves: "Porque é que a Europa não vai conseguir"

O texto é sério, arguto e competente, mas apenas consegue provar que isso não vai acontecer.
A primeira razão está na dimensão. Com quase 400 páginas, tem lá tudo o que se possa imaginar. Quem pretende mesmo mudar as coisas fala pouco e duro. Em 1989, o Relatório Delors lidou com a união económica e monetária em 36 páginas; desta vez, só o volume base tem o dobro (68). O texto inclui excelentes medidas, que podem fazer toda a diferença; mas refere tantos outros detalhes secundários que qualquer governo, sem fazer nada de jeito, poderá dizer que o está a cumprir.

Em segundo lugar, a própria proposta central manifesta a impossibilidade. O relatório afirma: “Para digitalizar e descarbonizar a economia e aumentar a capacidade de defesa da UE, a taxa total de investimento em relação ao PIB terá de aumentar cerca de 5 pontos percentuais do PIB da UE por ano, para níveis observados pela última vez nas décadas de 1960 e 70” (p. 14). Esta é uma proposta séria e eficaz, mas evidentemente irrealizável.

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