João César das Neves: "O poder que a imprensa económica tem é a sua credibilidade"

A imprensa económica é um setor que sofreu uma das mais profundas transformações estruturais em Portugal nas últimas décadas. E grande parte dela tem precisamente a ver como poder. Menos com o poder que ela tem do que com o poder que a pretende sempre dominar.

A atividade, como aliás toda a imprensa, depois de décadas de subserviência política, foi decapitada após o 25 de Abril de 1974, e teve então de se reconstruir com novas personalidades e novas orientações. No entanto, durante os primeiros anos da democracia, a análise económica dos jornais seguiu a mesma linha da ditadura, mantendo-se estritamente política, mesmo se de sinal contrário. Tudo parecia determinado pelas decisões dos ministros, pelos programas dos governos, pelas orientações da lei. Qualquer problema tinha sempre solução nas secretarias.

Neste campo, como em tantos outros, o desenvolvimento da economia e a adesão à Europa mudaram tudo. Primeiro evoluiu a procura, quando consumidores, trabalhadores e empresários começaram a exigir informação sobre os fatores realmente relevantes, que estavam muito mais nos preços, mercados, concorrentes e bancos que nos discursos das autoridades. Em reação, as publicações tiveram de contratar bons economistas como repórteres e comentadores, e assim nasceu a imprensa que hoje temos.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Correio da Manhã de 19 de março de 2022.