João César das Neves: "O fim do modelo Guterres"

António Guterres, um dos mais bem-sucedidos políticos da sua geração, tomou o poder a 28 de outubro de 1995, quando estavam resolvidos os dois principais problemas do regime implantado em 1974. Em meados dos anos 1990, a democracia encontrava-se já bem solidificada e Portugal participava com naturalidade na CEE. Realizados ambos os desideratos, coube ao novo Primeiro-Ministro definir a terceira estratégia nacional.

Esta baseou-se numa ideia simples: esquecendo o interesse nacional e as grandes linhas do progresso, a governação ia dirigir-se aos benefícios das corporações dominantes na sociedade portuguesa. Pensionistas, funcionários, grupos profissionais, autarquias foram identificados como o verdadeiro propósito social, dirigindo para eles recursos e retóricas. A prioridade seria a classe média, que elege, à custa dos pobres sem voz e dos ricos que investem. Há 30 anos essa é a trave-mestra da governação. A democracia esclerosou-se, com interesses sobrepostos ao bem comum e à dinâmica coletiva.

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