João César das Neves: "Estamos habituados"

No passado dia 17 foi apresentado pelo senhor Ministro das Finanças o Programa de Estabilidade 2023-2027, que inclui as previsões para o resto da legislatura. Ficámos a saber que o próprio governo antecipa um crescimento médio anual de 1.9% nestes cinco anos, sem nenhum valor acima dos 2%. Parece evidente que vamos ter de nos habituar a esta dinâmica morna.

A bem dizer, só os mais distraídos não estão afeitos à situação, porque ele é a regra há muito tempo. É preciso ter memória longa para se recordar de coisa diferente; mas a regra antiga era coisa muito diferente. Dos 71 trimestres que decorreram de 1977 a 1994, um quarto deles (18) teve crescimento em cadeia relativamente ao trimestre anterior acima de 2%, dos quais 14 acima de 2.5%. Mas dos 112 trimestres que se verificaram desde 1995, só cinco estiveram acima de 2%, com três acima de 2.5%; e, como quatro dos cinco e todos os três aconteceram em 2020-2022, se eliminarmos o solavanco da pandemia, em 28 anos existiu apenas um trimestre solitário acima de 2%: os “gloriosos” 2.2% do início de 2000.

Artigo completo disponível na Renascença.