João César das Neves: "Deus e o mal"

Sobretudo em épocas de raiva, como a atual, domina uma interrogação que é recorrente ao longo dos tempos: “como pode o Deus omnipotente e bom aceitar tanto mal?”

Quem faz esta pergunta não pensou com cuidado no problema. Se o fizesse, teria de considerar os contornos do tal mundo sem mal que, na sua opinião, o Deus omnipotente e bom deveria ter criado. Ao fazê-lo, a única conclusão possível é que nenhum ser humano existiria nessa obra ideal.

Num mundo sem mal não há lugar para o próprio, os seus familiares, amigos e conhecidos. Todas as pessoas falíveis, por melhores que sejam, seriam demasiado perversas para uma realidade tão perfeita. Assim, a pergunta não faz sentido, pois ela pressupõe a inexistência do perguntante.

Artigo completo disponível na Renascença.