João César das Neves: "Desta vez será igual"
Muito da explicação do paradoxo encontra-se na síndrome “Desta vez é diferente”, consideradas as quatro palavras mais destruidoras do sistema pecuniário. Quando surgem sinais anómalos na valorização de ativos, é comum achar-se que elas, na presente situação, são perfeitamente justificadas, graças às novidades revolucionárias. Afinal, estamos num mundo novo. Deste modo, ao rebentar a “bolha”, como invariavelmente acontece, são sempre muitas as vítimas.
De facto, o elemento mais significativo da maior parte das derrocadas é uma mudança tecnológica que promete transformar toda a realidade. Foi assim com a via-férrea e a eletricidade no final do século XIX, a aviação nos anos 1930, os computadores nos anos 1950, a internet na viragem do milénio. Em todos estes casos, as mudanças foram bem reais e espantosas; apesar disso, a euforia exagerou os efeitos e, antes destes normalizarem, surgiu o colapso.
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