João Borges de Assunção: "Reaprender"
O início do ano académico é um momento de esperança para todos. E na nossa sociedade tem um simbolismo de renovação maior até que a passagem do ano.
A ansiedade do primeiro dia da escola é tradicionalmente associada às crianças quando iniciam a instrução primária. Esta ansiedade encapsula todos os medos sociais. Sendo o risco de rejeição talvez o maior deles todos.
Depois de ano e meio ligados ao resto do mundo, laboral e escolar, pelo prisma do computador, muitos enfrentamos agora os riscos sociais da aceitação e rejeição na presença dos outros.
Muitos desses riscos têm uma componente idiossincrática associada ao conteúdo concreto da atividade de cada um. Mas todos enfrentamos esses riscos.
A posição individual que cada um tem ligada aos temas da pandemia assumiu contornos ideológicos. Desde as várias posições sobre as vacinas, as máscaras e o trabalho remoto. Se havia uma tendência de fragmentação ideológica no mundo esta ter-se-á acentuado com os vários dilemas sociais que a pandemia trouxe para o espaço público.
E as dimensões sociais e ideológicas são surpreendentes e contraditórias. Desde a forma dócil como a generalidade da sociedade aceitou as alterações extraordinárias de regras, talvez motivada pelo medo da morte causada pela doença, até à forma agressiva como defensores e opositores às regras por vezes se digladiaram.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 10 de setembro de 2021.
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