João Borges de Assunção: "Mudança de ciclo"
Apesar de já ter começado o outono, o país está a renascer. Isso sente-se em Portugal e um pouco por toda a Europa.
Há no ar a perceção que podemos estar a entrar num novo ciclo. Os seus contornos estão ainda muito indefinidos. E, por exemplo, o próximo governo alemão pode trazer uma nova geração de políticas públicas.
Eu tenho curiosidade sobre os contornos desse governo, e sobre a sua consistência estratégica e durabilidade. Numa primeira fase a agenda política do próximo governo alemão será determinada por fatores internos à própria Alemanha. Porém, se essa agenda for consistente e duradoura, irá alinhar a agenda política de muitos países europeus, incluindo Portugal.
Os temas de política externa têm também uma importância vital e poderão alterar a relação da Alemanha, e da Europa, com as principais potenciais mundiais. Há ainda muitas ditaduras no mundo, algumas geograficamente próximas. E os recentes acontecimentos no Afeganistão reduziram a confiança nos Estados Unidos para garantir os princípios básicos de transição pacífica de governos de base democrática. Isso coloca desafios novos à Europa e responsabilidades acrescidas para o governo alemão.
Na agenda económica interna será interessante perceber a consistência de políticas entre o SPD, da família socialista europeia, os verdes e os liberais, a composição provável da primeira tentativa de base de apoio do próximo governo. A chamada coligação do semáforo.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 8 de outubro de 2021.
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