João Borges de Assunção: "A decadência"

O processo que desaguou na marcação de eleições legislativas para 30 de janeiro do próximo ano é perturbador sobre o funcionamento das nossas instituições políticas. 

As anomalias são tão abundantes que sinalizam mais do que uma mudança de ciclo político. Sugerem a decadência do regime.

A não aprovação do Orçamento do Estado para 2022 é o resultado de uma anomalia política que vem desde 2015. Um governo sem maioria parlamentar.

Curiosamente a votação na generalidade do Orçamento foi representativa da opinião dos eleitores. Isto é, parece-me que os eleitores dos vários partidos se sentem devidamente representados nesse tema pelo comportamento dos seus representantes.

O que se seguiu é mais confuso. O Governo não se propôs a apresentar um novo Orçamento, nem se demitiu, nem procurou formar uma nova coligação no quadro parlamentar. O Governo disse apenas que, se fosse por ele, continuava a fazer tudo como anteriormente ignorando o resultado da votação do documento económico-financeiro mais importante para o próximo ano. Este é um comportamento comum nos clubes de futebol.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 12 de novembro de 2021.