Joana Domingues: "Liderança em 2021? Um ponto de vista é a vista de um ponto"

Escolho acreditar que a maior parte das pessoas quer crescer, ser competente e contribuir. Talvez por usar essa "lente", tendo a ver pessoas que querem contribuir e interesse nos seus pontos de vista. Na minha experiência de coaching a equipas de gestão, cada membro traz diversidade sobre o que pensa faltar à equipa: prioridades comuns, decisões mais ágeis, partilha de dificuldades, foco nos clientes, desenvolvimento das pessoas ou inovação.

Cada contribuição acrescenta um ponto de vista e, podendo trazer tensões, tende a complementar o todo. Mas muitas vezes, até chegarmos, algumas dessas visões não foram expressas ou escutadas no grupo, e ficam por aproveitar. A diversidade dos nossos contributos vem do que nos torna pessoas únicas, no que é visível (género, cor de pele, etnia, idade, ...) e invisível (origens, percursos, formas de absorver informação, resolver problemas, comunicar, ...).

Mas só tiramos pleno partido dessa diversidade quando há inclusão - quando as pessoas se sentem suficientemente valorizadas e seguras para expressar visões diferentes e falar de assuntos difíceis sem receio de penalização.

Muitos estudos têm afirmado o valor da diversidade e da inclusão. Equipas que incluem diferentes pontos de vista ou estilos de pensamento (diversidade cognitiva) resolvem problemas complexos novos mais rapidamente e produzem mais propriedade intelectual e de melhor qualidade, como patentes. Equipas mistas em género tendem a gerir melhor conflitos e a maximizar a criatividade entre os seus membros.

Organizações mais diversas e com culturas mais inclusivas têm maior probabilidade de atrair e reter talento, de inovar a sua oferta de produtos e serviços e de ter uma reputação de maior responsabilidade junto dos seus consumidores. Vários estudos apontam correlações positivas com retornos financeiros superiores. Apesar dos seus benefícios, a diversidade e a inclusão encontram múltiplos obstáculos, entre eles alguns dos nossos automatismos de sobrevivência. Tendemos a sentir mais segurança com pessoas parecidas connosco e a confirmar crenças que já tínhamos. Estes automatismos poderão ter-nos ajudado a sobreviver a tribos inimigas e a decidir depressa se lutar ou fugir de um predador. 

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