Isabel Capeloa Gil: "O que me estimula no cargo de Reitora é a capacidade de transformar"

Isabel Capeloa Gil é a segunda mulher reitora da Universidade Católica Portuguesa, tendo assumido o cargo em 2016. Nesta entrevista fala sobre a influência de Macau na formação do seu caráter, a realização do sonho de três décadas de abrir a Faculdade de Medicina e também o seu contributo para formar mais mulheres para a liderança.

Isabel Capeloa Gil é investigadora e Reitora da Universidade Católica Portuguesa, instituição com mais de meio século de história, 18 mil alunos, 1000 docentes e 1500 colaboradores, distribuídos por Lisboa, Porto, Braga e Viseu.

Nasceu em 1965, em Mira, e cresceu em Macau, onde o pai, que era da Marinha, foi colocado. Aí percebeu que o mundo era maior do que o grupinho de portugueses que se juntava no recreio e, com apenas 7 anos, decidiu aprender cantonense para melhor conhecer os outros. Mais tarde acrescentaria o alemão, que a atraiu pelo nível de dificuldade e que acabaria por a levar a fazer o mestrado e o doutoramento em Estudos Alemães.

Foi em Macau que viveu o 25 de abril, a Guerra do Vietname e a morte de Mao Tsé-Tung. Voltou a Portugal em 1981, com 16 anos, e licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Ingleses e Alemães - apesar de gostar de Físico-Química e Matemática a paixão pela Literatura falou mais alto, até mesmo do que a licenciatura em Economia que o pai tanto queria que fizesse.

É investigadora - tem mais de 150 trabalhos publicados - e tem ocupado vários cargos em associações científicas nacionais e internacionais.

Durante sete anos, foi Diretora da Faculdade de Ciências Humanas, tendo contribuído para o desenvolvimento de uma estratégia de especialização para a unidade, sobretudo nas áreas de Comunicação e Cultura, e pelo alargamento da relação com o mundo empresarial nestes setores. Na gestão universitária, tem-se destacado no desenvolvimento da estratégia de internacionalização e investigação da Universidade Católica Portuguesa (UCP), da qual foi Vice-Reitora entre 2012 e 2016 e responsável pela Investigação e Internacionalização.

Desempenha ainda funções de presidente da Federação Internacional de Universidades Católicas, desde 2018 (é a primeira mulher a dirigir a organização), integra o Conselho Consultivo da Fundação Calouste Gulbenkian e é presidente do Conselho de Administração da Fundação UCP, além de ser Reitora da Universidade desde 2016, tendo iniciado o segundo mandato em 2020. No ano anterior, a 20 de maio, quando recebeu o grau de doutor honoris causa no Boston College foi convidada a fazer o discurso de graduação dos finalistas daquele ano. Para um estádio com 30 mil pessoas recordou que Virginia Woolf fora impedida de caminhar sobre a relva do campus da Universidade de Oxford, direito que estava reservado aos homens. A igualdade de oportunidades é uma das suas missões de vida.

Nasceu em Portugal, mas cresceu em Macau. De que forma é que isso a marcou?

Marcou muito. Fui para Macau com 7 anos e quando regressei a Portugal tinha 16, por isso foi um período verdadeiramente marcante para a modelação da minha visão do mundo, dos meus amigos de base.

Sempre que regresso a Macau sinto-me em casa. Volto recorrentemente porque a Universidade Católica criou uma universidade em Macau em 1998, que hoje é uma universidade independente, mas com a qual mantém uma relação muito forte, inclusivamente em termos dos órgãos de governo - sou vice-presidente do Conselho Geral.

Macau é um encontro de culturas do Ocidente e da China, é um espaço chinês com uma marca portuguesa. Por um lado, há as práticas, o culto, a etnia das pessoas, os cheiros, tudo o que são as vivências asiáticas e chinesas, e, por outro lado, uma presença portuguesa - as igrejas, a religiosidade, a arquitetura tradicional portuguesa. Ao mesmo tempo é um entreposto das maiores marcas de luxo e tem os casinos. É um espaço muito singular, que cria uma sensação de desconforto a muitas pessoas, porque parece que se está num espaço fora do espaço, mas eu sinto-me mais em casa em Macau do que propriamente em Coimbra, na zona de Mira, de onde a minha família é natural.

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