Isabel Capeloa Gil: "O fumo das sondagens"

Passada a eleição, fica o fumo da fogueira eleitoral onde, em todos os ciclos políticos, se tentam queimar as sondagens. Faz parte da natureza humana justificar as insuficiências com motivos externos, fora da nossa esfera de ação e responsabilidade. E a humaníssima política não é exceção. Em tempo de eleições, as sondagens são frequentemente apontadas como a raiz de todos os males. Porque sub ou sobre estimaram a intenção de voto. Porque foram manipuladas, se não servem os interesses de determinada fação política. Porque erraram na aferição do resultado final e, portanto, são uma vigarice. A trituradora da simplificação serve muito bem as diferentes agendas políticas, mas erra, deliberada e conscientemente.

A sondagem eleitoral é um indicador de confiança que, a partir de instrumentos validados, afere a intenção de voto de uma população em determinado momento delimitado no tempo. Não é um instrumento de adivinhação, apoiado num algoritmo, e, sobretudo, não constitui nem determina o resultado de uma eleição. Pelo contrário, a sondagem pode ser um indicador essencial para permitir reforçar, corrigir ou mudar a estratégia partidária. Porque a opção política assenta maioritariamente numa avaliação que resulta de três variáveis de teor racional e emocional: o interesse próprio do votante, a filiação ideológica, a perceção sobre a atuação do partido e/ou do político. E a forma como o ator político se comunica determina o que se vê.

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