Isabel Capeloa Gil: "A liberdade é para os outros"
A liberdade, tal como a justiça, não é um ideal abstrato. Ou pelo menos, sendo também ideal, não se esgota nele. A liberdade é uma prática situada, que decorre de um contexto histórico-político e por isso representa coisas diferentes para comunidades distintas.
Até ao alvor da modernidade, a liberdade era concebida sobretudo como aspiração individual e interior, essencialmente centrada na exigência de liberdade de pensamento, ou então designava uma condição social, distinguindo os homens e mulheres livres dos escravizados. Fruto das transformações filosófico-políticas do iluminismo, a Declaração de Independência dos Estados Unidos consagra a liberdade como um direito inalienável do indivíduo ao mesmo tempo que dá corpo à tendência crescente de coletivizar a liberdade, que na levée en masse das revoluções se transforma em exigência, aspiração e combate dos direitos de grupo. E neste contexto começa a configurar-se uma tensão.
De um lado, situa-se a dimensão aspiracional da liberdade, como valor e ideal, que decorre de uma pulsão individual; de outro, a luta coletiva para conceder liberdade. Ora é justamente aqui que se situa o nó tensional, que a voz do poeta alemão Friedrich Schiller tão claramente exprime: "Pode deixar-se alguém ser livre, mas não se pode dar liberdade." E que liberdade? Significa esta liberdade coletivizada, emancipação? Exigência de justiça social? Autonomia? Independência? Rejeição da submissão da vontade individual que o contrato social consagra?
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