Isabel Capeloa Gil: "A educação e a universidade no pós-pandemia"

Na semana em que a Renascença completa 84 anos, olhamos para várias áreas da sociedade procurando perceber os novos caminhos que, como sociedade, estamos a percorrer. Nesta segunda-feira, apontamos o foco para duas áreas, no âmbito do digital: para o teletrabalho, e para a forma como vai afetar a relação com o emprego; e para o futuro do jornalismo, após um ano de grande exigência, mas também de grandes problemas financeiros.

A pandemia faz-nos repensar a nossa posição no mundo, as nossas metas e ideais. Sentimos a onda de um tsunami que se aproxima e do qual não conseguimos fugir. Neste contexto de emergência exige-se recordar que o futuro não passa apenas pela resolução da crise sanitária e pela recuperação económica, mas que em sentido lato se decidirá pela nossa capacidade como país em resolver a questão educativa.

É a educação que nos permite lidar com a antecipação do desastre e promover resiliência social, ética, emocional, cultural, económica e científica. A COVID-19 mostra o que anteriores crises (epidémicas como a SARS ou MERS, ou mesmo económicas) já enunciavam: a radical desigualdade global, evidente na diferença de acesso a cuidados médicos, a diferença económica entre aqueles que são afetados pela crise de emprego, a diferença da qualidade e no acesso à educação.

Face a tudo isto, a vacina é um instrumento para reforçar a confiança, mas não resolve a explosão do nosso modelo civilizacional em curso. Se não conquistarmos a batalha da educação, estará verdadeiramente em causa a possibilidade do país se desenvolver e ter futuro. Tal como tem vindo a ser amplamente demonstrado pelos sucessivos relatórios PISA, a condição socioeconómica continua a ser determinante para os resultados escolares. No contexto pandémico, o direito à educação foi um dos direitos constitucionais suspensos, sobretudo nos ciclos iniciais de estudo.

Em famílias fragilizadas social e economicamente, a narrativa solidária de um Estado On foi o seu inverso. Ainda que online, escola esteve sobretudo off. Reabertas as escolas, a retoma não se faz com ideologia, com lutas políticas, mas com o esforço de um pacto nacional, ao serviço da causa comum dos jovens de Portugal. Vivemos uma verdadeira emergência educativa e deve-se transformar o ato de E-ducar em verdadeira educação, isto é, em gesto de afirmação da autonomia pessoal que se atinge com o saber informado.

Nas universidades, com públicos preparados para a educação na nuvem, o efeito também se fez sentir de forma sintomática e não tanto pela falta de acesso tecnológico, mas sobretudo por uma exaustão de conectividade que potencia a ansiedade e, de certa forma, a disjunção cognitiva. 

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