Ir é o único caminho
Na berma das estradas nacionais, de roupa desportiva, colete refletor e uma pequena mochila com mantimentos. Em Portugal, estaé uma espécie de linguagem universal que indica “vai ali um peregrino”. Não se sabe quando iniciou a viagem, há quantos dias está a caminhar, mas é quase apostaganha dizer que se dirige para O Santuário de Fátima. E este não é um fenómeno exclusivo português.
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Paulo Fontes, investigador no Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa, define peregrino como “aquele que percorre um itinerário, que desenvolve mobilidade, em ordem a um templo, um lugar ou um espaço a que atribui, do ponto de vista religioso, um determinado significado”. Na maioria das vezes a peregrinação está associada ao caminhar, mas hoje usam-se todos os meios de transporte. E não é uma prática exclusiva do catolicismo, pelo contrário, existe nas mais diversas tradições religiosas do globo, podendo ser direcionada para um santuário –– “um lugar que já fixa uma memória de uma tradição e com uma determinada simbólica e mensagem” ou para um sítio na natureza, como um santuário ao ar livre, variando consoante a religião.
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Para Paulo Fontes, há “uma carga simbólica enorme” ao concluir uma peregrinação. Há manifestações efusivas de regozijo, de choro, as pessoas abraçam-se, ajoelham-se, cantam e rezam. Chegar é sempre importante, mas “o caminho é a promessa de chegar a algum sítio que não é necessariamente só físico, é muitas vezes também interior ou espiritual, é uma maneira de as pessoas lidarem com a vida, reaprenderem a lidar com a vida e renascerem na vida".
Nota: Pode ler este conteúda na íntegra na edição impressa do jornal Expresso de 27 de junho de 2025.
Categorias: Centre of Religious History Studies