A IA está a tornar-nos mais estúpidos e preguiçosos?
Investigadores do insuspeito MIT sugerem que o ChatGPT faz de nós, senão menos inteligentes, assustadoramente menos criativos. Como não há marcha-atrás, os especialistas aconselham a aprender a utilizar a Inteligência Artificial a nosso favor, sem desistir do pensamento crítico. Se é verdade que quase todas as novas tecnologias têm despertado receios de declínio cognitivo, também é verdade que a nossa capacidade de adaptação é grande.
Cresci a ouvir “onde o macaco mete as nozes”, uma frase dita pelo meu pai com graça, em alternativa a mandar alguém àquela parte. Mas, em 2025, pesquisar no Google “Onde é que o macaco mete as nozes?” leva a que o motor de busca responda muito a sério, com a ajuda da Inteligência Artificial. “Os macacos não costumam guardar nozes na boca como esquilos”, começa por lembrar a IA, explicando: “Eles podem comer nozes, mas geralmente não as armazenam para mais tarde, como fazem alguns outros animais.”
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Alucinações: “Quando vamos à procura da informação, deixamos marcas [no cérebro], mas, se nos dão a papinha toda, não temos qualquer registo e esse é o grande problema da Inteligência Artificial”, sublinha o neurologista Alexandre Castro Caldas, que em março publicou o livro Inteligência Vital, Estupidez Artificial (ed. Contraponto). Em vez de tomarem uma decisão, as pessoas escolhem opções que as máquinas estão a propor-lhes “e isso não tem aprendizagem para a vida”, lembra o professor de Neurociências Cognitivas, na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes da Visão de 21 de agosto de 2025.
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