Francisca Guedes de Oliveira: "Tempos de incerteza"

Um dos fatores para a definição de políticas é se esta inflação é mais conjuntural ou mais estrutural. Uma parte dela, pequena, é controlada pelos decisores políticos. Mas o resto é um exercício complicado de adivinhação.

A Economia é uma ciência cheia de incertezas. Pela sua natureza humana e social, não podia ser de outra forma. Nós, economistas, tentamos controlar alguma desta incerteza construindo modelos econométricos mais ou menos complexos que nos permitam fazer previsões com relativo grau de confiança.

Mas este tempo que vivemos agora é para a ciência e os cientistas particularmente frustrante. Com novos e inesperados fatores em jogo (nomeadamente a pandemia e a guerra) o aumento do grau de incerteza tem sido uma constante, tornando muito mais complicado qualquer forma de previsão. E a dificuldade de fazer previsões torna difícil definir políticas, uma vez que os cenários onde estas políticas podem impactar aumentam e se tornam mais difusos.

Uma das variáveis que nos últimos 20 anos não representava grande fonte de preocupação nas modelizações e previsões, era a inflação. Passamos as últimas décadas com uma inflação baixa (às vezes até baixa de mais) que parecia mais ou menos resistente, mesmo no contexto de políticas monetárias expansionistas.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.