Francisca Guedes de Oliveira: "Nova temporada"
Além dos receios de quem vê uma crise no horizonte, após dois anos de pandemia, são duas as minhas maiores preocupações para a economia doméstica: a definição de política monetária de combate à inflação e a execução do PRR.
Em setembro começa um novo ano letivo. Começam as escolas, as universidades, e muitos de nós recomeçam o trabalho depois de um descanso mais ou menos retemperador.
É, em muitos casos, o começo também das novas temporadas das séries nas várias plataformas, muito esperadas por alguns e que nos vão acompanhando ao longo do ano. Tal com as novas temporadas, o ano político arranca daqui a uns dias. E, tal como em relação às séries, muitos de nós estão curiosos por saber o que vai acontecer nos próximos episódios.
Como se vai desenvolver a guerra? Como vai evoluir a situação em Taiwan? que impactos terão estes acontecimentos dos grandes palcos geopolíticos, para a economia europeia e, em particular, para Portugal? Mais perto de casa, os alemães já começaram a marcar a agenda em relação às regras de dívida e deficit. Como se irá fechar este dossiê?
Outro tema que seguramente vai marcar o ano económico e político é a evolução da inflação. Será ou não temporária? Resolver-se-á com medidas do lado da procura, ou sendo uma inflação gerada sobretudo do lado da oferta (muito às custas dos bens alimentares e do preço da energia) ter-se-á que resolver do lado da oferta? Vamos ou não entrar num novo período de estagnação ou mesmo recessão?
Dentro de portas, além destas questões e dos habituais temas políticos, do ponto de vista de política económica a rentrée traz sempre a discussão sobre o Orçamento do Estado (OE). Não invejo o ministro das Finanças, que terá que discutir o primeiro OE inteiramente da sua autoria num contexto de tamanhas incertezas.
Nota: Artigo completo disponível no Jornal Económico.
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