Francisca Guedes de Oliveira: "Mais um choque petrolífero"

Para uma economista, um dos aspetos curiosos das crises que nos têm assolado é vermo-los discutidos em ambientes não técnicos, usando termos e conceitos bastante técnicos. Mais ainda é nós próprios revermos estes conceitos e situações que entram e saem do vocabulário economês a propósito dos ciclos e das recorrências económicas.

Atualmente, temos ouvido falar de estagflação e de choque petrolífero, termos que desde a década de 70 não eram praticamente referidos, nem falados, como se de palavras vulgares se tratasse.

O primeiro choque petrolífero grave deu-se em 1973, com o aumento do preço do petróleo decidido pela OPEP, fruto de um limite à sua venda aos países apoiantes de Israel. Em cerca de meio ano o preço do petróleo aumentou mais de 300%, desestabilizando a economia global.

No final da década de 70, dá-se um novo aumento do preço do petróleo, novamente por motivações políticas: a deposição do Xá Reza Pahlavi do Irão e a sua substituição pelo aiatola Ruhollah Khomeini. Este segundo choque acaba por ter impactos mais prolongados, pois o novo governo iraniano nacionaliza a produção do petróleo e controla-a de acordo com as suas orientações político-religiosas e uma antipatia clara pelos países ocidentais.

Artigo completo disponível no Jornal Económico.