Francisca Guedes de Oliveira: "(Des)igualdade de género (I)"

É essencial optar por uma política de discriminação positiva e um bom instrumento para o fazer são as quotas. O fim do estigma a elas associado far-se-á pela demonstração da qualidade no exercício das funções.

Entre as muitas situações que colocam as mulheres numa posição de desvantagem em relação aos homens, a diferença salarial continua a ser uma das mais significativas (mesmo) nos países economicamente mais desenvolvidos. Na União Europeia (UE), em 2018, as mulheres ganhavam, por hora, menos 14% que os homens, ou seja, trabalhavam, em cada ano, quase dois meses de graça.

Esta discriminação tem várias causas. Para além de, muitas vezes, ganharem objetivamente menos para as mesmas funções, o facto é que acedem menos aos lugares mais bem remunerados. Em Portugal, por exemplo, apenas 6% dos CEO são mulheres. Algumas das razões que são por vezes invocadas - como que escolhem profissões menos bem pagas ou que são, em média, menos qualificadas - são puros mitos: relativamente à primeira é nas profissões mais qualificadas, e em particular no setor privado, que a diferença salarial horária é maior; quanto à segunda, cerca de 60% dos licenciados na UE (59% em Portugal) são mulheres.

A solução tem que passar por políticas públicas que ataquem o problema em três eixos distintos: Criando as condições para que as mulheres acedam aos "lugares dos homens".

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