Filipe Santos: "Os Deuses da Economia devem estar loucos!"
“Os Deuses devem Estar Loucos" foi um filme extraordinário de 1980 que narrava como a introdução acidental de uma garrafa vazia de Coca-Cola numa remota aldeia africana que não conhecia a civilização levou a uma reflexão inicial dos membros da aldeia e depois a conflitos internos e a toda a espécie de peripécias hilariantes. A introdução da pandemia nas nossas vidas é daqueles eventos acidentais que nos obrigaram a parar, refletir e reagir, mas que agora estão a causar toda a espécie de distúrbios económicos desde inflação de preços à escassez de mão de obra, à falta de chips, à especulação em mercados de ativos reais e financeiros, e a um sentimento geral de que a economia não vai bem. Mas, o que de facto se está a passar?
Em primeiro lugar, foi espantosa a resiliência do nosso sistema económico perante a pandemia. Quando fomos mandados para casa em março, houve algum pânico com corrida aos supermercados para comprar alimentos e papel higiénico. Outros, incluindo eu próprio, foram comprar um computador para os filhos e um router de internet. E, no entanto, para além do desaparecimento das piscinas portáteis e de especulação inicial em máscaras e álcool-gel (situação rapidamente corrigida com produtores têxteis e químicos a adaptarem as suas operações), não houve escassez em bens essenciais. Mas agora que a economia está a rearrancar, estão a notar-se desequilíbrios económicos graves. Vou tentar fazer sentido destes desequilíbrios à luz do conhecimento económico.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 30 de novembro de 2021.
Categorias: Católica Lisbon School of Business & Economics