Filipe Santos: "A grandeza de um país está no talento que gera e atrai"
Terminei o meu último artigo, publicado a 3 de agosto, já em período de férias, com este parágrafo: "E façamos também uma reflexão séria sobre o futuro de Portugal e a visão que o deve nortear, não fazendo desse exercício um programa político-partidário, mas antes um desígnio e compromisso nacional, com envolvimento de agentes privados e públicos."
Nesta fase em que muitos voltam de férias e se inicia um novo ciclo, acredito que setembro poderá ser um ponto de viragem no combate à pandemia e na reconstrução económica de Portugal e da Europa. Seria, portanto, bom saber qual a visão para Portugal que orientará esse processo. Mas essa reflexão séria não está a ser feita e a perspetiva de ter uma discussão apartidária a menos de um mês das eleições autárquicas é, obviamente, uma ingenuidade.
No entanto, gostaria de oferecer um possível posicionamento para Portugal de modo a enriquecer o debate - Portugal como hub de atração de talento de todo o mundo. E aqui a crença é de que a grandeza futura de um país é proporcional ao talento que conseguir gerar, atrair e reter. E Portugal tem condições privilegiadas para atrair o talento mundial em várias áreas.
Por exemplo, esta semana 540 novos alunos de mestrado, dos quais 160 portugueses e 380 internacionais vindos de mais de 40 países, iniciam as suas aulas na Católica-Lisbon. Escolheram a Católica e mudaram-se para Lisboa para realizar os seus estudos, quando poderiam ter ido estudar para qualquer outra escola de gestão de topo na Europa. No conjunto do sistema de ensino superior, serão milhares de alunos internacionais a vir em setembro para Lisboa e Portugal para estudar e viver.
Muitos se afeiçoarão a Portugal e quererão cá ficar a trabalhar e inovar, até pela força do ecossistema de empreendedorismo de Lisboa e de outras regiões do país. Cada vez mais jovens empreendedores estão a escolher Lisboa para fundar ou sediar a sua start-up, alimentando um vibrante ecossistema e atraindo um número crescente de nómadas digitais - jovens que trabalham em áreas ligadas à tecnologia e que conseguem trabalhar remotamente para qualquer empresa do mundo, procurando uma localização base que ofereça segurança, bom clima, qualidade de vida a custo acessível, conectividade, cultura e entretenimento. Portugal tem tudo isso para oferecer a uma nova e talentosa geração europeia.
Ao mesmo tempo, cada vez mais empresas multinacionais olham para Portugal como destino de eleição para colocar os seus centros de competência, implementando estratégias de nearshoring das suas cadeias de valor, tanto nas atividades de suporte (backoffice e serviço ao cliente) como também dos seus centros de desenvolvimento avançados, capitalizando e recrutando o talento que é gerado nas universidades portuguesas. Portugal tem um sistema universitário de qualidade reconhecida e que, em várias áreas científicas, como a gestão e as engenharias, tem reconhecida qualidade internacional
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 31 de agosto de 2021.
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