Filipe Santos: "Falar a sério sobre fiscalidade e trabalho"
A economia tem sempre o dom de nos surpreender, a todos e aos economistas em particular. Havia o receio de o emprego vir a reduzir-se significativamente nas economias avançadas. Com o acelerar da digitalização e da automação dos processos produtivos, impulsionado pelo uso de inteligência artificial em cada vez mais setores da economia, haveria no futuro cada vez menos emprego, a ponto de se pensar num rendimento mínimo universal ou em horários de trabalho semanal cada vez mais reduzidos.
No entanto, ao contrário da esperada queda da oferta de emprego remunerado, estamos a assistir na generalidade dos países desenvolvidos a uma crise de falta de mão de obra sem precedentes, que é transversal à economia e afeta também Portugal, que tem atualmente uma taxa de desemprego de 6,5%, que é das mais baixas da história da democracia. Nos países com o mercado de trabalho mais flexível, a taxa de desemprego está abaixo dos 4%, ou seja, em situação de pleno emprego. Só nos países mediterrânicos com mercados de trabalho muito rígidos, como Espanha e Grécia, o desemprego está ainda acima dos 12%.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 25 de janeiro de 2022.
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