Filipe Santos: "A escalada inevitável da guerra no Médio Oriente"

Donald Trump quer ser o imperador do Mundo - o líder mundial mais forte e temido, que todos adulam e a quem todos pagam para receber as suas boas graças e evitar as suas chantagens. A visão trumpiana do mundo é imperialista e obcecada pelos recursos naturais – território, petróleo e minerais. Quem tem recursos naturais e um historial de inimizade com os EUA, torna-se agora uma presa para o poderio americano. A Venezuela foi o primeiro caso. O Irão o segundo. A Venezuela tem corrido bem até agora, mas a guerra com o Irão tem tudo para correr mal. Aliás, o ataque ao Irão abriu uma caixa de Pandora difícil de conter, que levará a uma escalada da guerra na região.

Nos bombardeamentos massivos ao Irão, Trump foi surpreendido pela resiliência do regime e pelo poder que o controlo do estreito de Ormuz confere aos iranianos. O Irão tem a Marinha e a Força Aérea destruídas, mas, mesmo assim, consegue chantagear o mundo e negociar, país a país, a passagem de navios pelo estreito, o que lhe confere um poder geopolítico enorme. Um poder que Trump não percebeu de início, mas que agora quer para si. Se os EUA controlarem o estreito de Ormuz será Trump a controlar o mercado de petróleo e gás mundiais.

Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal de Negócios de 7 de abril de 2026.