Filipe Santos: "E agora, Portugal?"

Os portugueses falaram com o seu voto (embora ainda faltem os resultados dos eleitores de fora de Portugal) e agora cabe aos políticos entenderem-se na governação do país.

No entanto, a tarefa não é fácil. A vitória da AD é marginal em votos e deputados. A direita democrática tem praticamente o mesmo número de deputados da esquerda democrática, não contando com o Chega nem com a CDU. Aliás a dicotomia esquerda/direita é uma falácia maniqueísta que infelizmente tem vindo a ser consolidada no nosso discurso político.

O Chega não é um partido de direita, nem de esquerda. O Chega é um partido populista puro, sem ideologia que não seja alcançar o poder apelando aos instintos e insatisfações mais básicos dos cidadãos. Daí ter prometido tudo a todos durante a campanha, com medidas que ora estão conotadas com a direita ora com a esquerda Por isso não merece ser chamado à governação não é um partido sério. O que não quer dizer que não se deva olhar com atenção para as insatisfações dos 1,1 milhões de portugueses (18% dos eleitores) que votaram no Chega e pensar que alterações têm de ser feitas em políticas-chave, como a imigração e a luta contra a corrupção, áreas que têm minado o sentimento.

Nota: Pode ler o conteúdo na íntegra na edição impressa do jornal de Negócios de 12 de março de 2024.