Filipe Santos: "Capitalismo, desigualdade e filantropia"

No passado dia 10 de dezembro, a Família e Grupo José de Mello realizaram a maior doação de sempre ao Ensino Superior em Portugal, com um apoio de 12 milhões de euros à Universidade Católica Portuguesa para a construção do novo campus Veritati em Lisboa onde se instalará a Católica Lisbon School of Business & Economics.

Este investimento permitirá o crescimento da Católica-Lisbon e reforço da sua capacidade de atração e formação dos melhores alunos nacionais e internacionais. Este é um gesto de generosidade notável e pouco frequente em Portugal, o que me leva a escrever sobre o papel da filantropia no combate às desigualdades geradas pelo capitalismo. E verdade que o capitalismo aumenta as desigualdades. Mas aumenta as desigualdades através da boa gestão dos recursos e da criação diferenciadora de riqueza, não através do empobrecimento seletivo.

Uma sociedade em que todos os cidadãos tenham um rendimento de 100 terá desigualdade zero. Mas se, por virtude do empreendedorismo e inovação, vários empresários lançarem produtos e serviços inovadores, e gerarem emprego e lucros, esta sociedade poderá vir atei; por exemplo, 95% dos cidadãos com 120 de rendimento e 5% com 1000 de rendimento médio. Será uma sociedade mais desigual é certo, mas terá um nível de rendimento superior para todos os cidadãos, sendo uma sociedade mais próspera (embora possa criar-se uma perceção de injustiça face à situação anterior em que todos eram mais pobres, mas iguais).

No extremo oposto, temos modelos económicos de captura de recursos, normalmente em regimes ditatoriais, em que, para 5% dos cidadãos se apropriarem de 1000 de rendimento, os outros 95% perdem metade do seu rendimento. Nestes modelos, que são o oposto do capitalismo, a riqueza não se cria, é capturada, gerando empobrecimento. O modelo capitalista, que para funcionar bem exige um estado de Direito, liberdade económica individual, mercados concorrenciais e uma regulação forte e independente que evite a concorrência desleal e o abuso de posições dominantes, é assim um modelo económico superior embora crie desigualdades. 

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