Fernando Ilharco: "A química do esforço"
Os cérebros das pessoas que vivem uma mesma situação tendem a sincronizar-se e a reagir de maneira semelhante. Este facto tem sido comprovado por registos magnéticos das ondas cerebrais das pessoas envolvidas. Trata-se de uma sincronia que, possivelmente, tem algo mais do que o mero alinhamento linguístico ou cultural. Pode existir algo a nível magnético ou químico nesta sincronia cerebral.
No ambiente organizacional, entre profissionais de um mesmo departamento, trabalhando num mesmo espaço ou num mesmo projecto, por isso, em interacção regular e por vezes intensa, o estado de espírito, o padrão emocional, a motivação e a dedicação parecem igualmente ser contagiantes. Um estudo publicado na Harvard Business Review aponta o facto, possivelmente já testemunhado por muitos, de como um director desmotivado e pouco simpático dificilmente é capaz de gerar um ambiente motivador e empenhado no departamento. Pelo contrário, um líder que esteja confiante, que sorria, que fale com uns e outros, tenderá a gerar comportamentos semelhantes. A boa e a má-disposição, a motivação e a confiança, tendem a espalhar-se, parecem ser contagiantes. Os neurónios-espelho, neurónios cerebrais nos quais assenta a imitação, parecem ter um papel importante nesta dinâmica social. Mas, possivelmente, a química não se ficará por aí.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 6 de maio de 2022.
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