Fernando Ilharco: "Quando deixámos de compreender o mundo"
A complexidade dos sistemas técnicos e sociais em que assenta o mundo contemporâneo ultrapassou a capacidade de qualquer indivíduo , ou mesmo de qualquer grupo - os compreender na totalidade. Não se trata de uma hipótese teórica, mas de uma constatação empírica, sustentada tanto por acontecimentos quotidianos como por análises várias de cientistas e pensadores contemporâneos. Hoje, ninguém compreende verdadeiramente, em detalhe e em tempo real, o funcionamento do sistema financeiro global, das redes elétricas internacionais ou dos sistemas de inteligência artificial (IA).
Um sistema, por definição, não é apenas a sua infraestrutura técnica. Inclui também os comportamentos humanos, as decisões políticas, as contingências históricas e as múltiplas camadas de adaptação e evolução. Nenhuma tecnologia é neutra, nem existe isoladamente, como visionariamente avisou Marshall McLuhan. Ela é sempre absorvida por um sistema social que a transforma e a reconfigura. Por isso, nenhuma tecnologia equivale ao sistema que a incorpora.
Nota: Pode ler este conteúdo na íntegra na edição impressa do jornal de Negócios de 9 de junho de 2025.
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