Fernando Ilharco: "A maneira como andamos pode influenciar as emoções"
A separação entre a mente e corpo, pensamento e acção, plano e mu-dança, é apenas teórica, evidentemente. E um modelo de análise e preparação para a acção, que é uma herança do Iluminismo e das teses de Descartes (1596-1650) - ou das consequências que estas teses tiveram na ciência -, sobre as quais assentou o método científico e em boa parte o progresso dos últimos séculos.
Hoje, no entanto, das neurociências às ciências comporta mentais, passando pela biologia, pela liderança e pelos estudos da expertise e alta performance, trabalha-se no relacionamento entre os elementos, entre os diversos aspectos do ser humano. Investiga-se sobretudo o funcionamento sistémico, seja de uma pessoa, de uma organização, de uma cidade ou de um país.
A mente humana, um órgão do corpo, tem como principal trabalho mexer o corpo humano, conforme ao que sentimos e pensamos; conforme ao que inconsciente, subconsciente e conscientemente acontece sistemicamente connosco. As emoções modelam o que pensamos e fazemos, mas o que fazemos e o que pensamos modelam também o que sentimos.
William Jalnes, o pai da psicologia norteA postura física e a movimentação modelam o próprio e comunicam com os outros. -americana, dizia "não canto porque estou feliz, mas estou feliz porque canto." Um sorriso faz-nos sentir mais satisfeitos, mesmo se estivermos zangados ou tristes. Ao forçar um sorriso com as mãos, puxando os cantos da boca para cima, ou trincando suavemente um lápis, o sistema nervoso tenderá a reagir como quando se sorri.
Outro comportamento eficaz para aumentar a confiança e a motivação, bem como para transmitir segurança, empenho e preparação, é andar ou estar sentado com as costas direitas. Trata-se de uma postura que facilita a subida da testosterona, a química da confiança, e o ajustamento positivo do cortisol, a química da atenção e do stress.
Em geral, uma postura que expanda ligeiramente o corpo é favorável à confiança, à criatividade, ao raciocínio rápido e comunica isso mesmo às pessoas com quem estamos. Transmite uma presença positiva, empenhada, preparada e confiante. O senso comum acredita que a mente comanda o corpo, mas a ciência tem mostrado que o contrário é tão ou mais correcto.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 25 de junho de 2021.
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