Fernando Ilharco: "Conversa decisiva"
Nem tudo o que cada um acredita ou não acredita sobre si próprio estará correcto, naturalmente. É expectável que cada um esteja um pouco, ou muito, enganado quanto a quem é e do que é capaz. Por um lado, o autoconhecimento é dificil. Por outro lado, a pessoa não é estável, é diferente aqui e ali, e vai mudando. Além disso, o ser deste ou daquele modo é também um ser-para-alguém.
Não somos assim tanto como pensamos ser. Mesmo quando o que fazemos bem ou mal confirma o que acreditamos ser, podemos estar errados. Pode dar-se o caso de ter sido o que acreditávamos conseguir ou ser que levou a que quiséssemos e fizéssemos o que conseguimos. Trata-se de jogos mentais, de crenças e atitudes, que tanto podem ser positivas como negativas.
Hoje sabe-se que as pessoas estão em evolução, em mudança contínua, ao longo da vida. Pode sempre aprender-se novos conhecimentos, competências e actividades. Ora, este conhecimento, o saber que somos maleáveis a vida toda, em termos do bom desempenho pessoal e profissional, parece poder ter consequências superiores a técnicas e a práticas motivacionais mais usuais.
Meia hora de uma conversa bem estruturada sobre a maleabilidade da pessoa, sobre o facto de o cérebro estar constantemente em mudança e de os comportamentos, as atitudes e a personalidade também irem mudando, mostrando provas científicas disso mesmo, pode ser um dos métodos mais eficazes para aumentar a confiança e motivar alguém a melhorar ou a ser mais como quer ser.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 29 de abril de 2022.
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