“Estamos a passar de uma pirâmide [demográfica] para um soufflé” e as escolas precisam de acompanhar a mudança
Revistas que fazem capa com pessoas claramente abaixo do público-alvo a que se destinam, campanhas publicitárias com jovens casais quando querem chegar ao consumidor acima dos 55 anos e lojas de moda para senhoras que usam imagens de jovens adolescentes como modelos para essas peças. Estes são apenas alguns dos exemplos do que se encontra no mercado, sem grande esforço, e que mostra que há um desalinho “entre a realidade dos consumidores e a imagem que aparece”, assegurou Céline Abecassis-Moedas, directora do Center on Longevity Leadership e Pro Reitora da Universidade Católica Portuguesa, keynote speaker do Fórum Marketeer “O Mercado dos 55+: A Economia da Longevidade”. Ou seja, uma diferença entre o mercado real e o mercado que se vê.
Céline Abecassis-Moedas enquadrou a questão da longevidade fazendo notar que há duas tendências principais a ditar o contexto em que estamos. Por um lado, estamos a viver cada vez mais anos. “Só nos últimos 20 anos ganhámos quase 5 anos de expectativa média de vida. Na segunda metade do século XX, ganhámos 30 anos.” Por outro lado, temos cada vez menos filhos. O número de que precisávamos para a sociedade se manter era 2,1 filhos por mulher. A média de Portugal é 1,5. “Ou seja, a pirâmide demográfica está a estreitar na base e a alargar no topo. Estamos a passar de uma pirâmide para um soufflé. Isso significa que a base e o topo são quase da mesma largura, ou seja, há mais ou menos o mesmo número de pessoas de todas as idades”, destacou a keynote speaker, salientando que a McKinsey lhe chama “obelisco”. E este é um fenómeno que está a acontecer na Europa, na América e mais ou menos em todo o mundo.
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