Estamos na cauda da Europa em literacia. O que fazer?
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Joaquim Azevedo
Criar Casas de Aprender capazes de ir ao encontro dos cidadãos
É preciso construir políticas estruturais de educação ao longo da vida (ELV), como se fez para a educação escolar inicial (criar um incentivo político). Ter uma rede de centros para a ELV com portas (mais ou menos) abertas à espera dos clientes não resultou, não resulta, nem irá resultar. A ELV tem de ir ter com os cidadãos, incluindo os pouco escolarizados, dialogar com eles, com o apoio de educadores sociais e de outros técnicos mediadores, em ordem a co construírem oportunidades muito abertas, vastas e flexíveis de ELV (como se fez, com sucesso, no projeto TCA — Trofa Comunidade de Aprendentes, 2004-2011). Tudo tem de ser feito numa lógica de proximidade e hospitalidade, que garanta a acessibilidade de todos, em cada comunidade, com muita flexibilidade e criatividade, no quadro do que chamamos “regulação sociocomunitária da educação”. Impossível? Claro que não. Basta ver como se criou e desenvolveu a rede das “universidades seniores” para antever o que pode suceder. Em 2002, sugeri que se criasse uma rede local de “Casas de Aprender”. Infraestruturas é o que mais temos, falta-nos um incentivo político claro e negociado, como se fez há 35 anos com o ensino profissional; nada de novo debaixo do sol. Defendi neste “manifesto” que as Casas de Aprender seriam espaços públicos abertos a todos os portugueses, porque é sempre possível aprender, qualquer que seja o nível escolar ou social do aprendiz, desde que o ambiente seja estimulante para a aprendizagem. As Casas de Aprender vão ter com os cidadãos, sobretudo com aqueles que não sabem nem podem ir ter com as Casas de Aprender, criam relação, reconhecem e valorizam as pessoas e os seus percursos e sonhos, sugerem e orientam, criam laços e abrem horizontes, com respostas ali mesmo, em cada comunidade. Promovem a coesão social, ativam a cidadania e fortalecem a liberdade. Professor catedrático e investigador na área da educação — Faculdade de Educação e Psicologia da Católica Porto
Nota: Pode ler este conteúdo na íntegra na edição impressa do Público de 29 de dezembro de 2024.
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